O mercado físico do boi gordo encerrou esta sexta-feira (10) mantendo o cenário visto ao longo da semana: um ambiente de poucas negociações e com menor disponibilidade de gado, o que tem dificultado avanços mais consistentes das escalas de abate em várias regiões, destaca a consultoria Safras & Mercado.
As indústrias sustentam a estratégia de redução da capacidade de abate em meio ao esgotamento precoce das cotas de exportação de carne bovina para a China. “Isso exige mudanças importantes na aquisição de boiadas, considerando a ausência parcial e temporária do principal importador brasileiro de carne bovina”, destaca o analista Fernando Iglesias, da Safras.
Nesta sexta-feira, o indicador Cepea/Esalq para o boi gordo, baseado nos negócios realizados no Estado de São Paulo, registrou a cotação de R$ 326,65 a arroba, uma alta de 0,60% na comparação diária, mas uma queda de 0,97% ao longo da semana. No acumulado de julho, o indicador acumula recuo de 2,90%.
No caso do mercado atacadista, os preços da carne apresentaram queda no decorrer da sexta-feira, informa a Safras. Segundo Iglesias, o ambiente de negócios sugere um menor suporte aos valores no restante do mês, uma vez que o efeito da entrada dos salários na economia passa a ser menos impactante.
O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) destaca que os preços da carne com osso no atacado da Grande São Paulo estão em queda no comparativo com as carnes suína e de frango. Ou seja, em termos de competitividade, as concorrentes da carne bovina estão mais atraentes ao bolso do consumidor.
De acordo com o Cepea, na parcial de julho (até o dia 9), o preço de um quilo de carcaça casada de boi no atacado paulista equivaleu a 3,5 quilos de frango resfriado. Essa forte competitividade da proteína avícola decorre da estabilidade dos preços do frango em níveis mais baixos. Há um ano, essa relação era de 2,9 quilos de frango por quilo de carne bovina.
No comparativo com a carcaça casada especial suína, a relação de troca, na parcial de julho, foi de 2,8 quilos de suíno por quilo de bovino, também indicando boa competitividade dessa carne concorrente. Em julho do ano passado, a troca era de apenas 1,7 quilo.