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Mauro vê condenação de Bolsonaro como ato político, diz que Lula foi ‘anistiado’ pelo Supremo

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O governador Mauro Mendes (União) classificou como “um momento triste da história do país” a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e 3 meses de prisão por participação em uma trama golpista após as eleições de 2022. Mauro defendeu a aprovação de uma anistia pelo Congresso Nacional e comparou a situação de Bolsonaro à do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que, segundo ele, também teria sido “anistiado” pelo Judiciário.

“Olha, um momento triste da história do país. Eu vi que aquilo foi mais um julgamento político, segundo os grandes juristas que eu vi, muitos analistas falando de alguns equívocos cometidos, e é mais um capítulo que continua dividindo o Brasil. Eu lamento profundamente esse capítulo da nossa história”, disse Mauro, em entrevista concedida nesta sexta-feira (12), no Aeroporto Marechal Cândido Rondon, em Várzea Grande.

Em seguida, ele reforçou o posicionamento a favor de uma anistia, lembrando que em outros momentos históricos isso já aconteceu no Brasil. No caso, a anistia mais famosa foi a que ocorreu ao fim da ditadura militar, na qual militares e opositores foram perdoados de crimes cometidos, incluindo tortura, perseguição política e abolição do Estado democrático.

“Eu reforço a minha convicção pela anistia, porque já foi feita anistia várias vezes nesse país. Pessoas que torturaram, pessoas que cometeram grandes crimes, e eu não vi, e nenhum brasileiro viu, o presidente Bolsonaro cometer nenhum tipo de crime. Lula se dizia injustiçado, muitos reclamaram durante muitos anos, e ele foi anistiado pelo Supremo. Bolsonaro também acho que é um injustiçado, e ele precisa ter o mesmo tratamento e ser anistiado pelo Congresso Nacional”, disse.

Lula, entretanto, não foi anistiado. As condenações impostas pela Lava Jato foram anuladas pelo STF em 2021 por falhas processuais, como a incompetência territorial da 13ª Vara Federal de Curitiba e a suspeição do então juiz Sergio Moro, o que restabeleceu seus direitos políticos. Nenhuma decisão formal de anistia foi tomada no caso.

O governador afirmou ainda que a polarização ideológica tem ofuscado o debate sobre os principais problemas nacionais, como dívida pública, juros altos e déficit da Previdência. “O Brasil fica discutindo essas polêmicas, enquanto a economia sofre. Eu lamento profundamente esse capítulo da nossa história”, completou.

Mauro Mendes reiterou a defesa de uma anistia ampla, incluindo os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. Para ele, houve desproporção nas penas aplicadas em comparação a episódios de invasões e depredações promovidos por outros movimentos. “Já vi muitas vezes o MST invadir o Congresso, depredar prédios públicos no Brasil inteiro, e nunca vi ninguém condenado a 14, 17 anos. É isso que precisa mudar. Eu defendo uma anistia que pacifique o Brasil, que coloque o país no rumo novamente”, afirmou.

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