As principais bolsas de valores da Ásia estão derretendo no início dos negócios de segunda-feira (7), primeiro dia útil após entrar em vigor o ‘tarifaço’ do presidente americano, Donald Trump. Os índices futuros das bolsas dos Estados Unidos também registram grandes baixas.
O que está acontecendo
Por volta das 23h de Brasília (11h em Tóquio e 10h em Pequim), as bolsas asiáticas registravam fortes perdas. A de Xangai recuava 7,1% e a do Japão caía 6,1%. Mais cedo, a negociação dos contratos futuros do índice da bolsa de Tóquio foram suspensas — uma medida conhecida como circuit breaker — depois de os ativos apresentarem grande baixa e volatilidade. A bolsa de Taiwan perdia 9,6%, mesma queda da de Hong Kong, e a da Coreia do Sul recuava 4,5%.
No mesmo horário, os índices futuros de Nova York despencavam. O do Dow Jones caía 2,2%, o do S&P 500 — que reúne as ações das 500 maiores empresas negociadas nas Bolsas americanas — recuava 2,5% e o da Nasdaq, de companhias de tecnologia, perdia 3%. Essas baixas indicam que tais bolsas abrirão em queda na manhã de segunda (7) nos EUA.
Índices na Europa abriram em queda livre, seguindo a tendência dos mercados asiáticos. Os futuros do EUROSTOXX 50 caíram 3,0%, enquanto os futuros do FTSE perderam 2,7% e os DAX 3,5%. O índice dos bancos europeus caiu 4,8% e está 20% abaixo do seu máximo de fechamento recente.
Petróleo cai à medida que aumentam os riscos de recessão global. A perspectiva para o crescimento global manteve os preços do petróleo sob forte pressão, após perdas acentuadas na semana passada. O Brent caiu US$ 1,35, para US$ 64,23 o barril, enquanto o petróleo bruto dos EUA caiu US$ 1,395, para US$ 60,60 o barril.
Começou o “tarifaço”
No sábado (5), entrou em vigor a determinação que impõe uma tarifa adicional de 10% sobre todas as importações de todos os parceiros comerciais dos EUA. A taxação foi anunciada por Trump em um evento na Casa Branca na quarta-feira passada (2) e publicado em uma ordem executiva da agência governamental US Trade Representative. Até a próxima quarta (9), todos os países pagarão apenas essa tarifa adicional de 10% — exceto aqueles que foram alvos de ações específicas anteriormente, como México e Canadá.
Taxa do Brasil é de 10% e não deverá ser alterada no curto prazo. Essa porcentagem foi aplicada aos países com quem os EUA têm superávit comercial.
No dia 9 de abril, as tarifas serão elevadas para as demais nações com quem os EUA têm déficit comercial. As novas tarifas foram calculadas dividindo o déficit de 2024 pelo valor das importações, segundo o US Trade Representative. As alíquotas podem chegar a 50%, como no caso de Lesoto e do arquipélago de São Pedro e Miquelão. Uma taxa de 25% já havia sido imposta ao México e ao Canadá e essa porcentagem não deverá mudar.
Aversão ao risco
Ainda está difícil para empresas e governos calcular os efeitos do aumento das tarifas para a economia mundial. Em momentos de elevada incerteza como o atual, a aversão a risco dos investidores cresce. O índice VIX, que mede a volatilidade do mercado acionário com base nos derivativos do S&P 500 e é conhecido como “índice do medo”, disparou 51% na sexta (4) na Bolsa de Chicago.
Os riscos de uma recessão nas economias global e dos EUA subiram de 40% para 60% com o anúncio do “tarifaço”, de acordo com o banco de investimentos americano JP Morgan. “As políticas disruptivas dos EUA foram reconhecidas como o maior risco para as perspectivas globais durante todo o ano”, segundo o banco.
A reação dos governos dos países atingidos pelo “tarifaço” à medida de Trump está dividida. Alguns adotaram tom de desafio, como a China, que já está retaliando o EUA; outros mostraram disposição em negociar, como o Brasil. Segundo a Casa Branca, 50 nações já procuraram o governo americano para negociar.
No final da semana passada, após o “tarifaço” ser anunciado, as bolsas mundiais já tiveram fortes quedas. Mas as baixas não fizeram Trump recuar, como esperavam os investidores.
Trump está se mantendo firme. O presidente americano disse na noite de domingo (6) que as quedas nos mercados mostravam que o “remédio” das tarifas está funcionando. “Não quero que nada caia, mas às vezes você tem que tomar um remédio para consertar alguma coisa”, afirmou a jornalistas que estavam com ele a bordo do Air Force One, o avião oficial da Presidência. Trump afirmou ainda que não vai fazer um acordo com a China até que o déficit comercial dos EUA seja superado.
Mesmo apoiadores de Trump estão se manifestando contra o “tarifaço”. O lendário e bilionário gestor de investimentos americano Bill Ackman, fundador e presidente do fundo Pershing Square Capital Management, foi à rede social X na noite de domingo (6) tentar chamar o presidente à razão.