Lula participa com Putin das comemorações de 80 anos da vitória soviética na Segunda Guerra

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou nesta sexta-feira (9) das celebrações pelos 80 anos do Dia da Vitória na Segunda Guerra Mundial, em Moscou. Lula foi convidado pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin.

A data marca a rendição da Alemanha nazista em 1945 e é considerada um dos eventos mais importantes do calendário histórico russo.

Segundo analistas ouvidos pelo g1, a presença do presidente no evento gera uma mensagem ruim para a democracia brasileira. Eles lembram que a Rússia sob o governo Vladimir Putin é uma ditadura, com restrições a direitos políticos, liberdades individuais e liberdade de expressão.

Além disso, o presidente russo deflagrou, há mais de 3 anos, a invasão da Ucrânia e até hoje mantém os ataques não provocados ao país vizinho.

O embaixador ucraniano convidou publicamente Lula para também visitar a Ucrânia após a visita à Rússia, mas o presidente brasileiro não irá ao encontro do presidente Volodymyr Zelensky em Kiev.

A programação de Lula em Moscou começou às 4h com uma cerimônia solene na Praça Vermelha, onde autoridades russas e estrangeiras prestaram homenagens aos soldados que lutaram na guerra.

Em seguida, Lula participou da tradicional oferenda floral no Túmulo do Soldado Desconhecido, localizado no Jardim de Alexander, junto à Muralha do Kremlin, edifício sede do governo e da residência oficial do presidente russo.

Conflito Rússia-Ucrânia

 

O presidente também participará de um almoço oficial no Palácio do Kremlin, oferecido pelo presidente da Federação da Rússia, Vladimir Putin. No mesmo local, os dois líderes se reunirão.

Lula tem se esforçado para ser interpretado como neutro no conflito gerado pela invasão russa à Ucrânia. No entanto, a postura do presidente tem sido analisada como pró-Rússia pela Ucrânia e a visita à Moscou sem uma ida à Kiev desequilibra a posição do Brasil, segundo especialistas.

“É um cenário complicado, é difícil compreender o posicionamento do Brasil. A presença do presidente [Lula] demonstra uma atitude diplomática independente e incorreta, em termos de respeito às democracias. O Lula vem atacando as democracias há um tempo durante posicionamentos referentes a Rússia e Ucrânia”, afirmou o analista político Ricardo Rangel.

 

Ele ressaltou ainda que as tendências autoritárias estão em alta em vários países importantes do mundo, e Lula deveria evitar associar a imagem do Brasil a uma dessas nações.

“Nunca, desde a derrota do nazifascismo em 1945, a extrema direita esteve tão forte, e ela está por toda parte: [Donald] Trump, [Marie] Le Pen, [Victor] Orbán, etc. Recentemente, o segundo lugar nas eleições alemãs ficou com o partido extremista Alternativa para a Alemanha (AfD), e o vencedor teve dificuldade para formar um governo”, completou.

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