Imagens obtidas pelo g1 e exibidas no Fantástico mostram a cronologia do caso envolvendo um bilhete danificado da Mega-Sena, premiado em R$ 29 milhões, que virou alvo de disputa judicial em Sinop. Os registros fazem parte do processo e mostram, em sequência, o momento em que a aposta foi registrada, a conferência dos números sorteados e os fatos ocorridos no dia seguinte, quando o bilhete teria sido retirado da lotérica.
A investigação teve início depois que uma funcionária da lotérica pediu demissão afirmando que ela e o marido eram os ganhadores do prêmio. Segundo a defesa da ex-funcionária, o bilhete premiado teria sido resultado de um erro na impressão. Após a descoberta, o dono do estabelecimento afirmou que o comprovante pertencia à lotérica e que, por isso, o prêmio seria da empresa. Em seguida, uma denúncia foi registrada contra o casal.
A ex-funcionária nega ter furtado o bilhete premiado. O g1 informou que entrou em contato com a Caixa Econômica Federal, mas não obteve retorno até a última atualização da reportagem.
De acordo com as regras operacionais da Caixa Econômica Federal descritas no Manual das Lotéricas, o estorno de apostas simples e de bolão só pode ser feito quando o bilhete tem valor superior a R$ 10. Como a aposta não foi cancelada, o comprovante com defeito foi guardado na lotérica. O estabelecimento sustenta que, a partir disso, o bilhete passou a integrar o patrimônio da empresa.
Já a defesa da ex-funcionária afirma que, quando um bilhete sofre algum dano, o valor é descontado do salário do operador de caixa. Por esse motivo, segundo os advogados, a proprietária da aposta seria a própria funcionária, que teria arcado com o prejuízo.
“Naquele dia, ela pegou o bilhete e teve que cobrir o caixa. Ninguém imaginava que aquela aposta seria premiada. Então, ela guardou o bilhete em um baú da lotérica, não em um cofre, e voltou no dia seguinte para pegá-lo. O dono da lotérica só tomou providências depois que ela pediu demissão. A partir daí, virou um pesadelo”, afirmou a defesa.
A mulher trabalhou na lotérica entre 2019 e agosto de 2023, quando pediu demissão. Ainda conforme a defesa, desde então ela não conseguiu um novo emprego. O marido, que é caminhoneiro, passou a ser o responsável pelo sustento da família.
O caso segue em discussão na Justiça, que deverá definir a quem pertence o bilhete premiado e, consequentemente, o prêmio milionário da Mega-Sena.