A possibilidade de a senadora Tereza Cristina (PP-MS) integrar a chapa presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL) como candidata a vice encontrou forte resistência dentro do Progressistas. Entre quarta-feira (29) e quinta-feira (30), dirigentes estaduais da legenda consultados pelo presidente nacional do partido, senador Ciro Nogueira (PP-PI), manifestaram preferência pela manutenção da neutralidade do PP na disputa presidencial de 2026.
Segundo apuração da CNN Brasil, a maioria dos líderes regionais defende que o partido permaneça independente no cenário nacional, preservando a autonomia para construir alianças conforme a realidade política de cada estado.
Estratégia regional pesa na decisão
A posição reflete a diversidade de alianças firmadas pelo Progressistas no país. Em estados como Pernambuco, Paraíba e Maranhão, a legenda busca aproximação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Já em São Paulo e no Paraná, o partido mantém alinhamento político com o grupo de Flávio Bolsonaro.
Na avaliação das lideranças, uma definição nacional em favor de uma candidatura presidencial poderia comprometer negociações locais consideradas estratégicas para a legenda.
Estatuto cria novo obstáculo
Além da resistência política, dirigentes do PP apontam dificuldades de ordem estatutária para viabilizar uma eventual indicação de Tereza Cristina.
De acordo com o estatuto da sigla, a convocação da convenção nacional deve ocorrer por meio de edital publicado com antecedência mínima de oito dias. A dispensa desse prazo somente seria possível mediante consenso da direção partidária.
O deputado federal Eduardo da Fonte (PP-PE) afirmou à CNN que essa unanimidade não existe.
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“Votei pela neutralidade e não abro mão. Não tem mais prazo para convocar convenção nacional e, sem unanimidade do partido, não tem convocação. Logo, não há mais chance de indicar vice”, declarou o parlamentar.
Outro fator que dificulta a composição é a federação formada entre o Progressistas e o União Brasil, o que exige entendimento entre as duas legendas para decisões dessa natureza.
Campanha ainda busca aliados
Apesar das dificuldades, Tereza Cristina confirmou nesta quinta-feira (30) que se reuniu com Flávio Bolsonaro no dia anterior para discutir o cenário eleitoral.
A senadora, que comandou o Ministério da Agricultura durante o governo de Jair Bolsonaro, afirmou que uma eventual composição depende de “avaliações políticas e pessoais”, além de consultas internas e entendimentos partidários.
Segundo aliados ouvidos pela CNN, Tereza Cristina demonstrou disposição para aceitar o convite caso haja consenso político, o que foi recebido com otimismo pela equipe de Flávio Bolsonaro.
A campanha do senador busca ampliar sua base de apoio e tenta evitar a formação de uma chapa composta exclusivamente por integrantes do PL. Paralelamente, continuam as negociações com Republicanos e Podemos em busca de alianças para a eleição presidencial de 2026.