O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (18), durante agenda no Rio de Janeiro, que não concorda com a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A designação foi adotada pelo governo dos Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump.
Durante evento de apresentação de ações integradas de segurança pública, Lula defendeu o enfrentamento ao crime organizado, mas discordou do enquadramento adotado pelos norte-americanos. Na mesma fala, classificou como terrorismo a tentativa de golpe relacionada aos acontecimentos de 8 de Janeiro e mencionou o plano investigado pela Polícia Federal que previa assassinatos de autoridades.
“Nós precisamos ganhar do crime organizado. E eu não aceito a ideia de que as facções bandidas são terroristas, como diz o Trump”, afirmou Lula.
O presidente também associou sua crítica ao ex-presidente Jair Bolsonaro, citando o plano que, segundo investigações da PF, previa ações contra Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes.
EUA classificaram PCC e CV como terroristas
O governo dos Estados Unidos anunciou em 28 de maio a designação do PCC e do CV como Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs) e Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs). A classificação como FTO entrou em vigor em 5 de junho, após publicação no Federal Register.
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A medida permite aos Estados Unidos aplicar mecanismos legais e financeiros contra as organizações e pessoas ou entidades vinculadas a elas. O governo Trump afirma que as duas facções possuem atuação transnacional e representam ameaça à segurança norte-americana.
Trump cobra Brasil
A declaração de Lula ocorre poucos dias depois de Trump criticar a atuação brasileira no combate ao crime organizado. Em documento enviado ao Congresso norte-americano na terça-feira (15), o presidente dos EUA afirmou que, na avaliação de seu governo, o Brasil não conseguiu enfrentar adequadamente PCC e CV e cobrou medidas mais duras contra as organizações.
O Ministério da Justiça brasileiro contestou a avaliação e citou medidas recentes adotadas pelo país no enfrentamento às facções.
Durante a agenda desta sexta-feira, Lula também defendeu maior investimento brasileiro em segurança e proteção das fronteiras e voltou a tratar da soberania nacional diante dos interesses internacionais em recursos estratégicos do país.