Mesmo com o avanço do Pix e dos pagamentos digitais, o dinheiro em espécie continua presente na rotina de consumidores e comerciantes. Nas agências bancárias, porém, encontrar atendimento para receber, trocar ou depositar determinadas cédulas tem se tornado mais difícil.
A redução dos caixas presenciais, a retirada de urnas de depósito e a concentração de serviços nos aplicativos e terminais de autoatendimento fazem parte do processo de digitalização do setor bancário.
Uma cliente relatou que recebeu R$ 7 mil em dinheiro, com notas de diferentes valores, mas teve dificuldade para depositar cédulas de R$ 5 e R$ 10 porque os terminais disponíveis não aceitavam os valores. Segundo ela, foi necessário procurar diferentes agências até encontrar uma unidade com estrutura para receber as notas restantes.
Bancos ampliam investimentos em tecnologia
A transformação ocorre em meio ao aumento dos investimentos das instituições financeiras em tecnologia. A previsão do setor bancário é aplicar R$ 50,4 bilhões em tecnologia em 2026, segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária.
Os aplicativos concentram grande parte das operações realizadas pelos clientes, e serviços que antes exigiam uma ida à agência passaram a ser oferecidos de forma remota.
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A inteligência artificial também ganhou espaço no setor, sendo utilizada em áreas como atendimento, análise de dados e processos internos. Apesar dos ganhos de eficiência apontados pelos bancos, a digitalização também amplia desafios para pessoas que possuem dificuldades com aplicativos, celulares ou serviços financeiros digitais.
Idosos estão entre os mais vulneráveis
Dados citados em auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU), realizada em 2025, apontaram dificuldades de aposentados e pensionistas no acompanhamento de operações digitais.
Entre os entrevistados em uma apuração sobre descontos indevidos em benefícios do INSS, 97,6% afirmaram não ter autorizado as cobranças analisadas. Mais de 40% também disseram não conhecer o aplicativo Meu INSS. Especialistas e órgãos de defesa do consumidor alertam que a falta de familiaridade com ferramentas digitais pode aumentar a exposição a golpes aplicados por telefone, aplicativos de mensagens e falsos correspondentes bancários.
Menos postos de trabalho
A mudança no modelo de atendimento também atingiu os trabalhadores do setor. Segundo o presidente do Sindicato dos Bancários de Mato Grosso (Seeb-MT), João Dourado, cerca de 92 mil postos de trabalho bancários foram fechados no país entre 2016 e 2026.
Desse total, aproximadamente 50 mil vagas teriam sido eliminadas na rede de bancos públicos.