Clima
--°C
Sorriso, MT

TST adia julgamento da greve dos Correios e dá 48 horas para manifestação de trabalhadores

Receba todas as notícias do CN News MT no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) adiou, nesta segunda-feira (21), o julgamento do dissídio coletivo relacionado à greve dos Correios. A decisão concede prazo de 48 horas para que as federações que representam os trabalhadores se manifestem sobre novos documentos apresentados pela empresa.

O material foi anexado ao processo entre sexta-feira (18) e sábado (19) e, segundo os Correios, reforçaria a tese de abusividade da paralisação. Entre os registros apresentados estão relatos e vídeos de trabalhadores bloqueando entradas e saídas de cargas e caminhões.

O presidente do TST, ministro Vieira de Mello Filho, considerou necessário interromper o julgamento para garantir que os representantes dos trabalhadores tenham acesso ao conteúdo e possam se manifestar antes de uma decisão.

Segundo o ministro, prosseguir com a análise sem ouvir a outra parte poderia comprometer o contraditório e o devido processo legal.

Com o adiamento, a previsão é que o julgamento seja retomado na quinta-feira (24), às 15h30.

Divergência sobre greve

A discussão ganhou força após a relatora do processo, ministra Maria de Nazaré Rocha, apresentar voto para considerar a greve não abusiva e permitir a compensação dos dias parados.

Na avaliação da relatora, ocorreram diferentes tentativas de negociação antes do início da paralisação, mas as partes não chegaram a um acordo.

A ministra Cristiana Peduzzi apresentou entendimento diferente. Para ela, os documentos apresentados pelos Correios sobre protestos e bloqueios poderiam indicar abusividade, além de possível descumprimento da decisão do TST que determinou a manutenção de pelo menos 80% do efetivo em atividade.

O ministro Ives Gandra também indicou acompanhar o entendimento pela abusividade.

FIQUE ATUALIZADO COM NOTÍCIAS EM TEMPO REAL:  GRUPO DO WHATSAPPINSTAGRAM DO CN NEWS MT

Segundo Vieira de Mello Filho, caso a paralisação seja considerada abusiva, o sindicato poderá receber multa de R$ 200 mil.

Plano de saúde está entre os impasses

Antes da suspensão, a relatora também apresentou posicionamento sobre outros pontos do dissídio. Entre eles estão a manutenção da data-base da categoria, a compensação dos dias parados e a aplicação das condições estabelecidas na sentença normativa a todos os empregados.

O plano de saúde permanece entre os principais pontos de divergência entre trabalhadores e empresa. Sobre a questão, a relatora propôs manter a redação apresentada pelos Correios.

Os funcionários estão em greve por tempo indeterminado desde 10 de setembro, após assembleias realizadas em diferentes regiões do país. Segundo as entidades sindicais, a paralisação ocorreu depois de as negociações da campanha salarial terminarem sem acordo.

Uma tentativa de conciliação realizada pelo TST também terminou sem consenso, apesar da manutenção de 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo e da proposta de recomposição da inflação sobre salários e benefícios.

Crise financeira

A greve ocorre enquanto os Correios executam um plano de reestruturação financeira para o período de 2025 a 2027.

Entre as medidas previstas estão redução de despesas, aumento de receitas, venda de imóveis, Programa de Demissão Voluntária (PDV), renegociação de contratos e passivos, mudanças no plano de saúde e fechamento de parte das agências.

A estatal encerrou 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões. No primeiro semestre de 2026, o prejuízo líquido informado chegou a R$ 5,55 bilhões.

PUBLICIDADE

Em Destaque

PUBLICIDADE

Leia mais