O fundo de índice EWZ, que reúne ações de empresas brasileiras negociadas nos Estados Unidos, registrava queda de 19% nas negociações estendidas da noite de domingo (25), após a confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A movimentação sinaliza uma reação negativa de investidores ao resultado do segundo turno das eleições presidenciais.
Às 21h37, o fundo apresentava forte desvalorização no chamado after-hours, período em que determinados ativos continuam sendo negociados após o encerramento do pregão regular das bolsas americanas. Na sexta-feira (23), última sessão antes da votação, o EWZ havia fechado em alta de 1,77%. O movimento ocorre em meio às incertezas sobre os rumos da política econômica no próximo mandato de Lula, especialmente em relação ao controle dos gastos públicos, à situação fiscal e às medidas que poderão ser adotadas pelo governo.
A Bolsa brasileira não funciona aos domingos. Por isso, a expectativa se concentra na abertura do mercado nesta segunda-feira (26), quando investidores poderão reagir ao resultado das urnas. Apesar da queda expressiva do EWZ, as negociações fora do horário regular costumam apresentar menor volume e maior volatilidade. Dessa forma, a desvalorização do fundo não significa que o Ibovespa terá queda na mesma proporção.
Ibovespa fechou em alta antes do segundo turno
Na sexta-feira (23), o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, encerrou o pregão com valorização de 0,47%, aos 205.083 pontos. O dólar comercial recuou 0,90%, cotado a R$ 4,9930. Na ocasião, o mercado acompanhava a divulgação de pesquisas eleitorais que apontavam empate técnico entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL), além de indicadores econômicos nacionais e da movimentação dos preços do petróleo no exterior.
Mesmo com o avanço na última sessão, o Ibovespa acumulou queda de 0,17% na semana. Em outubro, entretanto, o índice registrava valorização de 10,06%, enquanto os ganhos desde o início do ano chegavam a 27,28%.
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O dólar, por sua vez, encerrou a semana com recuo acumulado de 1,57%. No mês, a moeda americana registrava desvalorização de 3,50% e, no ano, de 9,03%.
Inflação e petróleo também ficaram no radar
Além das eleições, indicadores econômicos influenciaram as negociações na última semana.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial, avançou 0,32% em outubro, abaixo das expectativas do mercado. Em setembro, o indicador havia registrado alta de 0,70%. No cenário internacional, o petróleo apresentou forte valorização diante das tensões geopolíticas e da redução dos estoques nos Estados Unidos.
O barril do Brent, referência internacional, subiu 3,45%, para US$ 117,08. Já o WTI, utilizado como referência no mercado americano, avançou 4,02%, alcançando US$ 103,45.