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Após derrota de Flávio, Tarcísio e Michelle ganham força na direita

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Após a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e a ex-primeira-dama e senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL) despontam como expoentes da direita para 2030.

Enquanto Flávio ficará sem cargo e vê investigações crescerem ao seu redor, Tarcísio estará à frente do governo do maior estado do país. Michelle, que mesmo sem cargo já tinha destaque cada vez maior na direita, agora terá seu mandato como senadora pelo Distrito Federal como palanque.

Ambos são vistos como possíveis presidenciáveis em uma disputa em 2030, em um cenário visto como mais fácil, já sem Lula, hoje sem nenhum herdeiro claro.

Além de enfraquecer Flávio, a derrota do filho 01 do ex-presidente tira pontos do próprio Jair Bolsonaro (PL), que bancou a escolha do herdeiro. A maioria dos aliados do bolsonarismo preferia o nome de Tarcísio para a disputa.

Agora, o governador paulista tem quatro anos para preparar o caminho para unificar a direita em volta de seu nome. A seu favor, teve uma vitória folgada no estado de São Paulo, com 62,65% dos votos.

Tarcísio derrotou novamente Fernando Haddad (PT), desta vez sem precisar de segundo turno. Sua coligação reuniu, além de Republicanos e PL, partidos como PSD, MDB, União Brasil e PP, uma composição que pode servir de ponto de partida para uma articulação nacional.

Ex-ministro da Infraestrutura de Bolsonaro, o governador tem na trajetória na área e na agenda de privatizações uma vitrine para apresentar ao eleitorado. Em seu primeiro mandato em São Paulo, concluiu a privatização da Sabesp, em julho de 2024, uma das principais promessas de sua campanha.

Embora esperasse ser o escolhido de Bolsonaro para a disputa à presidência neste ano, Tarcísio respeitou a decisão de seu padrinho político. No segundo turno, ao contrário do que se especulou, entrou de cabeça na campanha de Flávio. Com isso, mais uma vez demonstrou fidelidade a Bolsonaro e pode usar isso como trunfo também.

Na véspera da votação, o governador percorreu Minas Gerais e Rio de Janeiro ao lado do candidato. Neste domingo (25), disse que ajudaria Flávio a ser um “grande presidente da República”.

Ao mesmo tempo que mostrou fidelidade, Tarcísio também tem como apelo um perfil mais ao centro dentro do bolsonarismo, com potencial de agregar uma gama maior de aliados. Flávio, por exemplo, concorreu como uma chapa puro-sangue e com a direita fragmentada.

Michelle

Com Flávio derrotado, Eduardo nos Estados Unidos e Jair preso, Michelle é o membro da família Bolsonaro com maior potencial político. Ela tem a seu favor o apoio de alas evangélicas, embora deva enfrentar oposição entre os filhos de Jair Bolsonaro.

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A construção desse espaço começou antes de sua primeira disputa. Em 2023, Michelle assumiu a presidência nacional do PL Mulher, com uma agenda de viagens pelo país para estimular candidaturas femininas e organizar o partido. A função deu à ex-primeira-dama uma estrutura para ampliar sua atuação para além das aparições ao lado do marido.

Agora, chegará ao Senado ao lado de Bia Kicis (PL), também eleita pelo Distrito Federal, onde Damares Alves (Republicanos) já tem mandato. Como primeira-dama, Michelle investiu em pautas de inclusão de pessoas com deficiência, especialmente da comunidade surda, que também levou para sua campanha.

No início da campanha, ela chegou a ter um entrevero com Flávio. Em junho, Michelle publicou um vídeo em que afirmou ter sido humilhada e desrespeitada pelo enteado durante um telefonema. A discussão envolvia as alianças do PL no Ceará: ela defendia o apoio a Eduardo Girão (Novo) para governador e a manutenção da candidatura de Priscila Costa (PL) ao Senado, em oposição a uma composição com Ciro Gomes (PSDB).

Flávio negou ter humilhado a madrasta e pediu desculpas caso ela tivesse se sentido ofendida. Também afirmou que divergências de estratégia eram naturais e defendeu a união do grupo contra o PT.

Em agosto, os dois voltaram a se encontrar para gravar vídeos de campanha. Michelle disse ter colocado uma “pedra” sobre o episódio, mas o reencontro ainda foi marcado por manifestações de descontentamento com os conflitos familiares.

Nikolas

Outro nome que seguirá tendo forte influência na direita é o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Reeleito com 3,1 milhões de votos, ele se tornou o deputado federal mais votado da história do país, superando o recorde de Eduardo Bolsonaro, que recebeu 1,84 milhão de votos em 2018.

Sua força também apareceu nas campanhas de aliados. Nas eleições, 21 candidatos apoiados por ele conquistaram vagas na Câmara. Entre eles estão Lucas Pavanato (PL-SP), que também ultrapassou os 3 milhões de votos, e André Fernandes (PL-CE), o deputado federal mais votado do Ceará. O resultado dá a Nikolas uma rede de aliados para ampliar sua influência para além de Minas Gerais.

Nikolas vem abrindo o próprio caminho dentro do bolsonarismo e já teve atritos públicos com Eduardo. Neste ano, o filho do ex-presidente cobrou maior engajamento do deputado na candidatura de Flávio e o criticou por dar espaço nas redes a perfis contrários à família. Em abril, após uma interação de Nikolas com risadas, Eduardo afirmou que a fama havia feito mal ao aliado.

Apesar das cobranças, Nikolas se tornou um dos principais rostos da campanha de Flávio no segundo turno. Percorreu estados ao lado do candidato e mobilizou apoiadores nos chamados “bloquinhos”, combinando sua força nas redes sociais com atos de rua. A participação também lhe deu uma vitrine nacional para consolidar sua própria liderança, batendo recordes de engajamentos nas redes, com números tão superlativos que geraram suspeitas entre adversários.

Com a derrota, parte do bolsonarismo se voltou contra ele, responsabilizando-o pela derrota de Flávio em Minas, seu reduto, e no Nordeste, onde vídeos do deputado sobre a região repercutiram mal.

O deputado não poderá disputar a Presidência nem ser vice em 2030. Nascido em 30 de maio de 1996, ainda terá 34 anos na posse, em janeiro de 2031. Pelas regras atuais, é preciso ter 35 anos completos até essa data para assumir qualquer um dos dois cargos.

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