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Trabalhadores são resgatados em alojamento com baratas em Sorriso

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Três empregadores de Mato Grosso foram incluídos na atualização de outubro da chamada “Lista Suja” do Trabalho Escravo, divulgada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A medida ocorreu após fiscalizações que identificaram 42 trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão nos municípios de Sorriso, Nova Maringá e Alto Taquari.

Em Sorriso, no norte de Mato Grosso, dez trabalhadores da construção civil foram encontrados vivendo dentro de um ônibus adaptado como alojamento, em condições consideradas degradantes pela Auditoria Fiscal do Trabalho.

Durante a inspeção, os fiscais identificaram infestação de baratas, instalações elétricas improvisadas e risco de incêndio. O banheiro não possuía vaso sanitário nem pia, e o esgoto era despejado diretamente na rua.

Além das condições precárias de higiene, os trabalhadores enfrentavam calor excessivo, falta de privacidade e ausência de espaços adequados para alimentação e descanso.

A fiscalização também constatou dificuldades de acesso à água potável, irregularidades no pagamento de salários e falhas nas medidas de segurança durante as atividades profissionais.

Trabalhadores dormiam em barracos de lona

Em Nova Maringá, também no norte do estado, uma fiscalização em uma área de extração de madeira resultou no resgate de 20 trabalhadores.

Segundo os auditores, o grupo estava alojado em barracos improvisados de lona e em um contêiner, sem condições sanitárias adequadas.

A água utilizada para consumo, preparo de alimentos, banho e lavagem de roupas era retirada diretamente de um córrego.

Os fiscais também identificaram ausência de equipamentos de proteção individual, contratações sem registro formal, atrasos salariais e relatos de falta de alimentos.

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Em Alto Taquari, 12 trabalhadores foram resgatados durante uma fiscalização realizada em março de 2026, em uma propriedade rural.

A maioria havia sido recrutada em outros estados, principalmente Maranhão e Minas Gerais. Dos 12 trabalhadores encontrados, apenas um possuía registro formal de emprego.

Entre as vítimas estava um jovem menor de idade que exercia uma atividade proibida para sua faixa etária.

As equipes identificaram alojamentos precários, instalações elétricas improvisadas, jornadas excessivas e exposição a riscos de acidentes durante o corte de madeira e a produção de carvão vegetal.

Mato Grosso registra 92 resgates em 2026

De acordo com a Auditoria Fiscal do Trabalho, Mato Grosso contabiliza 92 trabalhadores resgatados de condições análogas à escravidão em 2026, considerando também operações cujos procedimentos ainda estão em andamento.

Entre as vítimas identificadas estão cinco mulheres e dois menores de idade.

A inclusão dos três empregadores na Lista Suja ocorreu após a conclusão dos processos administrativos, com garantia do direito de defesa.

O cadastro federal reúne nomes de pessoas físicas e jurídicas responsabilizadas administrativamente pela exploração de trabalhadores em condições análogas à escravidão.

As denúncias podem ser feitas de forma sigilosa pelo Sistema Ipê, disponibilizado pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

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