Vídeo: Enfermeira expõe assédio de chefe em UPA de Sorriso

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“Se você não ficar comigo, eu te dou as contas.” Foi assim, na base da ameaça, que uma enfermeira de 39 anos diz ter sido pressionada pelo próprio chefe dentro de uma unidade de saúde em Sorriso (420 km de Cuiabá).

Nesta quinta-feira (2), durante coletiva de imprensa, Tânia Barbosa relatou que o assédio vinha acontecendo há meses, sempre de forma direta, cara a cara, sem mensagens ou provas fáceis  apenas o constrangimento repetido e o medo constante de perder o emprego. “Já vem uns dias acontecendo, na verdade nem dias, eu posso falar meses, vem acontecendo esse assédio sexual no meu trabalho pelo meu coordenador de enfermagem”, denunciou. 
A profissional conta que era abordada durante os plantões e que as investidas vinham acompanhadas de chantagem.“Ele sempre falava pra mim que, se eu não ficasse com ele, ele ia pedir minha demissão”, detalha. 

Uma das abordagens aconteceu no início da semana, quando segundo ela, o coordenador passou dos limites. “Ele passou perto de mim, passou a mão na minha bunda, no meu corpo e tocou no meu corpo. E falou assim: ‘se você não ficar comigo, eu te dou as contas’”, conta.

Mesmo sob pressão, ela diz que nunca cedeu. “Eu ficava com aquele medo, aquele receio… eu falava que a qualquer momento ele ia me mandar embora”, detalha. 

O medo, segundo ela, não era só dela. Outras mulheres também teriam passado por situações parecidas, mas preferiram ficar em silêncio. “Não só comigo, mas com outras mulheres também já aconteceu. Só que a gente tem medo de perder o serviço”, destaca. 

A demissão de Tânia veio logo depois. “Eu fui demitida. Quando eu cheguei lá, falaram que eu não fazia mais parte da empresa. Eu perguntei o motivo, e disseram que só tinham recebido um ofício do meu coordenador pedindo meu desligamento”, afirma.

Sem resposta e revoltada, ela decidiu procurar ajuda e denunciar o caso. Durante a coletiva, a enfermeira chorou ao relatar o que viveu e disse estar abalada com toda a situação. “Não sei se é porque eu tô muito frágil, tô muito abalada. Não sei nem o que falar mais”, emenda.

Mesmo emocionada, afirma que não pretende recuar. Ela procurou a Prefeitura de Sorriso e afirma que recebeu apoio do secretário de Governo, além de orientação para registrar a denúncia na Polícia Civil e na ouvidoria. “Eles abraçaram a causa comigo e falaram que isso não pode acontecer e que não vão permitir.” A enfermeira reafirma que quer ir até o fim, não só por ela. “Atrás de mim existem outras mulheres também”, finaliza. Tânia disse que irá registrar boletim de ocorrência na Polícia Civil. 

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