“Falta de gratidão e deslealdade”. Assim definiu o deputado estadual Júlio Campos sobre o comportamento do correligionário, deputado federal Fábio Garcia.
O veterano político ainda enfatizou que foi um erro gravíssimo ter “abraçado” o grupo político do ex-governador Mauro Mendes no União Brasil quando o mesmo deixou o PSB.
O ex-tudo disse que se arrepende do acolhimento e relembrou tudo que fez pelos “aliados”. À Rádio Cultura, o parlamentar recordou como foi a primeira disputa do congressista pelo União, em 2018, quando foi suplente do senador Jayme Campos.
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“O Fábio era um garoto jovem, inteligente, competente. Realmente, naquela eleição que o Jayme disputou o Senado e ele foi o primeiro suplente. Havia um momento difícil da vida empresarial da família do Berinho Garcia [pai de Fábio]. Ele estava em recuperação, parece de R$ 600 milhões e ele não podia disputar a Câmara Federal”, contou nesta quinta-feira (28).
Ainda na lembrança, o cacique narrou que o suplente convidado era o ex-prefeito de Alto Garças, Roland Trentini, mas que na última hora, houve o problema para acomodar Garcia. “O Fábio não tinha estrutura para ser candidato tanto que tivemos que improvisar um federal, que foi o professor Adriano Silva, de Cáceres. Ele abriu mão da reeleição a Assembleia para disputar a Câmara Federal, substituindo o Fábio, que não podia entrar”, lembrou.
Após a eleição, Jayme chegou a se afastar do mandato para que o suplente assumisse por quatro meses. “Hoje eu acredito, o tempo é o senhor da razão. O Fábio teve essa oportunidade de assumir. O Jayme prestigiou o Fábio no momento em que ele mais precisava para retornar para a política. Mas, na política, tem muita deslealdade, muita falta de gratidão. Isso acontece. Eu já tive, já senti muito, até mesmo, nesses 54 anos de mandato. Já tive muita tristeza com certos companheiros”, desabafou.
O sentimento de “ingratidão” por parte de Fábio ocorre porque, mesmo diante do passado “empático” que os irmãos Campos tiveram com ele, o deputado federal não apoia a candidatura de Jayme ao Governo de Mato Grosso e, assim como Mauro Mendes, quer uma aliança do União Brasil para reeleger o governador Otaviano Pivetta (Republicanos), o que gerou um racha no partido. “O Fábio é jovem e tem um futuro pela frente. Nesse momento, ele até fala: ‘olha, eu gosto do Jayme, mas eu não quero o Jaime para governador. Gostaria que ele fosse senador. Mas a gente sabe que o candidato de preferência dele ao Senado é o Mauro Mendes, que foi o patrão dele durante três anos na Casa Civil. Então, acho que a palavra mais típica em política, nesse sentido, é a falta de gratidão”, frisou.
RESSENTIMENTO
O ressentimento com o ex-governador Mauro Mendes também caminha para esse sentido. Contudo, Júlio diz que o ex-gestor, que preside não só o União Brasil em Mato Grosso como também a Federação com o Progressistas, acabou com a legenda no Estado, trazendo desavenças e desunião.
O cacique fez um mea culpa. “Eu também participei desse erro gravíssimo. Tenho que dar a minha culpa porque, na época em que eles foram expulsos do PSB, Mauro, Fábio Garcia e outros aliados nossos de hoje, eles foram acolhidos com toda amizade. Tivemos o cúmulo de destituir, da presidência do partido Democratas, o atual deputado, Dilmar Dal Bosco, que tinha reconstruído o partido em todo o Estado”, recordou.
À época, foi colocado o próprio Fábio Garcia na presidência estadual. “A partir daí, o partido começou a acabar. Acabaram os encontros regionais. Não se reuniam mais. Acabou aquela amizade e aquele companheirismo. Piorou ainda mais na gestão do Mauro. Quando o Mauro assumiu, acabou. Agora, o partido não existe”, desabafou.




