Os preços dos fretes agrícolas seguem em patamar elevado no Brasil, apesar das quedas registradas em algumas das principais rotas de escoamento de grãos durante agosto. Em Mato Grosso, o transporte apresentou recuo em diversos trajetos, mas os valores permaneceram firmes para o período, principalmente diante do grande volume de milho ainda disponível para comercialização.
Os dados constam no Boletim Logístico de setembro da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que acompanha as principais rotas de transporte agrícola em dez estados. Em Sorriso, uma das principais regiões produtoras de grãos de Mato Grosso, o frete com destino ao Porto de Santos caiu de R$ 500 para R$ 490 por tonelada entre julho e agosto. Apesar do recuo mensal, a tarifa permaneceu 6,5% acima do valor registrado em agosto de 2025.
Segundo a Conab, agosto costuma apresentar reduções mais acentuadas nos preços do transporte em Mato Grosso. Neste ano, porém, os fretes ficaram próximos da estabilidade, sustentados principalmente pelo mercado do milho. O cereal acumula valorização superior a 20% desde o período da colheita, situação que estimulou novas negociações e aumentou a procura por caminhões para o transporte da produção.
Mato Grosso colheu mais de 57 milhões de toneladas de milho, volume recorde que ainda precisa ser escoado antes da chegada da próxima safra de soja. Além das exportações, o consumo interno também contribui para manter aquecida a demanda pelo cereal. As usinas de etanol devem consumir mais de 16 milhões de toneladas de milho nesta temporada, além do volume destinado à alimentação animal.
Outras rotas importantes do estado também apresentaram comportamento semelhante. De Primavera do Leste para Paranaguá, o frete caiu de R$ 410 para R$ 400 por tonelada entre julho e agosto. Mesmo assim, o valor ficou 11,1% acima do registrado no mesmo período de 2025. Já no trajeto entre Campo Novo do Parecis e Porto Velho, a tarifa permaneceu estável em R$ 290 por tonelada, mas apresentou alta de 16% na comparação anual.
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Exportações de soja avançam
No cenário nacional, o Brasil exportou 92,7 milhões de toneladas de soja entre janeiro e agosto de 2026, volume cerca de 7% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. As exportações de milho, por outro lado, alcançaram 14,5 milhões de toneladas, representando queda de aproximadamente 8% na comparação anual.
O comportamento dos fretes variou entre os estados conforme o andamento das colheitas, a disponibilidade de caminhões, o destino da produção e o ritmo das exportações. Em Goiás, por exemplo, algumas rotas apresentaram valorização devido ao aumento da procura por transporte de sorgo destinado às indústrias de ração de Minas Gerais.
Entre Catalão e Araguari, a alta chegou a 22,9% em agosto. Na Bahia, houve aumento das tarifas na maioria dos trajetos acompanhados pela Conab. Já no Maranhão, o movimento de cargas perdeu força após maior concentração do escoamento da soja durante o primeiro semestre. São Paulo apresentou relativa estabilidade, enquanto Minas Gerais registrou crescimento da procura por caminhões com o avanço da colheita do café.
Arco Norte concentra embarques
Os portos do Arco Norte mantiveram a liderança no escoamento de soja e milho brasileiros entre janeiro e agosto. No caso do milho, os terminais da região responderam por 48,98% das exportações nacionais, enquanto Santos concentrou 27,08%.
Na soja, o Arco Norte representou 38,85% dos embarques, seguido pelo Porto de Santos, com 34,42%. Santos também respondeu por 44,02% das exportações brasileiras de farelo de soja, que totalizaram 17,3 milhões de toneladas no período.