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Gabriel Diniz, Marília Mendonça e Rick: acidentes aéreos interromperam três trajetórias marcantes da música brasileira

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Três artistas, três histórias construídas em momentos diferentes da música brasileira e um ponto doloroso em comum. Entre 2019 e 2026, Gabriel Diniz, Marília Mendonça e Rick, da dupla Rick & Renner, tiveram suas trajetórias interrompidas em acidentes envolvendo aeronaves de pequeno porte.

O caso mais recente ocorreu nesta semana. Rick, de 59 anos, morreu após a queda de um helicóptero na Serra Catarinense. A aeronave desapareceu na segunda-feira (21), depois de decolar de Porto Belo com destino a São Joaquim. Os destroços foram encontrados nesta terça-feira (22). As cinco pessoas que estavam a bordo morreram. As causas ainda estão sob investigação.

A tragédia trouxe novamente à memória duas perdas que também abalaram o país: Gabriel Diniz, em 2019, e Marília Mendonça, em 2021.

Gabriel Diniz: a alegria interrompida aos 28 anos

Em 2019, era difícil passar por uma festa, rádio ou Carnaval sem ouvir “Jenifer”. A música transformou Gabriel Diniz em um fenômeno nacional justamente no momento em que sua carreira alcançava um novo patamar.

Conhecido pelo jeito irreverente, pelas apresentações animadas e por misturar romantismo e humor, Gabriel tinha 28 anos quando morreu, em 27 de maio de 2019. O avião de pequeno porte no qual viajava caiu no povoado Porto do Mato, em Estância, Sergipe. Os dois pilotos que estavam com o cantor também morreram.

Gabriel retornava para encontrar a então namorada após cumprir compromissos profissionais. A investigação do Cenipa apontou entre os fatores contribuintes condições meteorológicas adversas, julgamento de pilotagem, planejamento do voo e processo decisório. A aeronave não era certificada para operação por instrumentos e deveria voar sob condições visuais.

O cantor partiu justamente quando vivia o maior momento de exposição de sua carreira. Além de “Jenifer”, músicas como “Paraquedas” e “Safadezinha” faziam parte do repertório que consolidava seu nome nacionalmente.

Marília Mendonça: a voz que mudou o sertanejo

Dois anos depois, em 5 de novembro de 2021, o Brasil acompanharia outra notícia que parecia difícil de acreditar.

Marília Mendonça tinha apenas 26 anos quando o avião em que viajava caiu em Piedade de Caratinga, Minas Gerais. Ela seguia para uma apresentação que faria naquela noite em Caratinga. Também morreram o produtor Henrique Ribeiro, o tio e assessor Abicieli Silveira Dias Filho, o piloto Geraldo Martins de Medeiros e o copiloto Tarcísio Pessoa Viana.

Marília já havia deixado uma marca rara para alguém tão jovem. Começou como compositora ainda adolescente, teve músicas gravadas por grandes nomes do sertanejo e depois assumiu os próprios vocais para se tornar um dos maiores fenômenos populares de sua geração.

“Infiel”, “Todo Mundo Vai Sofrer”, “Ciumeira”, “Bebi Liguei”, “Supera” e “Graveto” estão entre as canções que ajudaram a transformar a cantora em uma das principais representantes do chamado “feminejo”. Em 2020, durante a pandemia, uma de suas transmissões ao vivo alcançou audiência mundial histórica no YouTube.

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Marília cantava términos, traições, saudades e recomeços sob uma perspectiva feminina que conquistou uma legião de fãs. A morte precoce interrompeu uma carreira que ainda estava em plena ascensão.

Rick: quatro décadas de estrada e uma história ligada ao sertanejo romântico

Em 2026, o sertanejo voltou a enfrentar uma tragédia aérea.

Geraldo Antônio de Carvalho, o Rick, começou a cantar ainda criança e construiu ao lado de Renner uma parceria iniciada nos anos 1980. Antes do reconhecimento nacional, os dois passaram anos cantando em casas noturnas e chegaram a produzir um trabalho independente.

A dupla atravessou décadas, separações e reencontros. Entre as músicas que permaneceram associadas à carreira estão “Ela É Demais”, “Nos Bares da Cidade”, “Cara de Pau”, “Filha”, “Seguir em Frente” e “Eu Sem Você”.

Rick também construiu carreira como compositor e produtor. Aos 59 anos, seguia nos palcos com Renner e comemorava quatro décadas de trajetória. Segundo o UOL, o último show da dupla havia ocorrido em Sorriso, Mato Grosso, dois dias antes da tragédia.

Na segunda-feira (21), Rick embarcou em um helicóptero Bell 430 que partiu de Porto Belo em direção à Serra Catarinense. Além dele, viajavam o empresário Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, o piloto e o copiloto. O helicóptero desapareceu durante o trajeto e desencadeou uma grande operação de busca.

Na manhã seguinte, após mais de 24 horas de procura, os destroços foram encontrados na Serra de Santa Catarina. Não havia sobreviventes.

Três despedidas, muitas músicas que ficaram

As histórias de Gabriel Diniz, Marília Mendonça e Rick pertencem a épocas e momentos diferentes do sertanejo.

Gabriel representava a explosão de um artista jovem que havia acabado de transformar uma música em fenômeno nacional. Marília ajudou a mudar o espaço ocupado pelas mulheres no gênero e transformou experiências sentimentais em canções cantadas por multidões. Rick carregava décadas de estrada e fazia parte de uma geração que consolidou o sertanejo romântico nas rádios e nos grandes palcos.

Gabriel tinha 28 anos. Marília, 26. Rick, 59.

Os voos terminaram. As vozes, porém, continuam tocando.

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