Uma denúncia anônima enviada à Ouvidoria do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) tenta barrar a candidatura da servidora pública Carmen Silvia Campos Machado como segundo suplente na chapa do senador Carlos Fávaro (PSD), que tenta a reeleição. Carmem é acusada de ter continuado no comando da Federação Sindical dos Servidores Públicos de Mato Grosso (FESSP-MT), além de usar a estrutura da entidade para atividades políticas.
Na chapa de Fávaro, o empresário Alexandre Schenkel (PSD) é candidato a 1º suplente r Carmen aparece como 2ª suplente na chapa majoritária da coligação “Mato Grosso para todos”. A denúncia afirma que Carmen continuou assinando documentos, convocando reuniões e tomando decisões em nome da federação depois de 4 de abril, data apontada pelo denunciante como limite para a desincompatibilização.
Ao FOLHAMAX, Carmen, no entanto, afirmou que ainda não foi formalmente notificada sobre a acusação, mas adiantou que o processo eleitoral com relação à federação funciona de outra maneira. “Vou tomar ciência formalmente dessa denúncia, né? Se é uma denúncia anônima e, se ela proceder, ela vai chegar oficialmente até mim e a gente vai responder com muita tranquilidade. Acho que a pessoa que deve ter feito essa denúncia tem pouco conhecimento da função da federação e como é que está, como é que funciona a federação em termos de processo eleitoral. Mas qualquer coisa, eu vou estar à disposição e assim que eu tiver sido notificada, eu dou uma resposta”, declarou.
Como o primeiro turno está marcado para 4 de outubro, o denunciante considera que o prazo terminou em 4 de abril. O documento anexado à Ouvidoria reúne uma série de ofícios assinados digitalmente por Carmen como presidente da FESSP-MT meses depois da data apontada como limite para o afastamento.
Um dos documentos é de 15 de julho e outro, de 6 de agosto. Os dois mostram Carmen respondendo oficialmente a uma entidade filiada e determinando a realização de procedimentos administrativos.
Já em 14 de agosto, praticamente às vésperas do fim do prazo para o registro das candidaturas, ela assinou novo ofício convocando entidades sindicais para uma reunião na Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag). Para o denunciante, o problema não seria apenas Carmen continuar sendo chamada de presidente da federação, mas também permaneceu efetivamente no comando da entidade, exercendo atribuições próprias do cargo.
A denúncia cita, entre outras atividades, a convocação de sindicatos, a representação da federação perante órgãos públicos e decisões relacionadas a procedimentos administrativos. O documento também questiona a origem dos recursos da FESSP-MT.
Segundo o denunciante, o estatuto da entidade prevê o recebimento de “contribuições sindicais previstas em lei” e de “subvenções e auxílios”, o que, na interpretação apresentada na denúncia, indicaria a possibilidade de recebimento de receitas de origem pública. Em seguida, o documento cita entendimento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE): “a simples previsão estatutária a possibilitar o recebimento de recursos públicos é suficiente para o reconhecimento” do enquadramento, segundo trecho atribuído ao Ac.-TSE de 27 de novembro de 2014, no RO 78372.
A denúncia ainda afirma que a federação possui recursos aplicados que teriam origem no antigo imposto sindical e cita o aluguel de um prédio da entidade para o Governo de Mato Grosso, onde funcionou durante anos a sede da Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc). Outro documento usado como argumento contra Carmen é o ofício assinado por ela em 14 de agosto para convocar uma reunião na Seplag.
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Na pauta, estavam o “recredenciamento das entidades representativas junto ao Estado” e “os procedimentos e o funcionamento das consignações relativas às filiações sindicais”. Com base nisso, o denunciante pede que o TRE-MT levante documentos para verificar se a FESSP-MT recebe recursos públicos e, principalmente, se Carmen realmente deixou a presidência da entidade dentro do prazo eleitoral.
As redes sociais da candidata também foram citadas na denúncia. O documento reproduz uma publicação feita em 2 de julho de 2026, na qual Carmen aparece sendo apresentada como presidente da FESSP-MT. “A convite do Ministério da Saúde, a presidente Carmen Machado participou da entrega de 383 veículos que irão fortalecer o atendimento nos 142 municípios mato-grossenses”, diz a publicação anexada à denúncia.
USO POLÍTICO
O post cita ainda a participação de autoridades no evento, entre elas o senador Carlos Fávaro, candidato que encabeça a chapa da qual Carmen é suplente. Outro conteúdo apresentado pelo denunciante mostra Carmen defendendo mobilização em torno da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 555/2006, que trata do fim da contribuição previdenciária sobre aposentadorias e pensões do serviço público.
Uma imagem do perfil “carmenmachadomt” também é citada no documento por manter a descrição “Presidente da FESSP/MT”. A denúncia vai além e afirma que Carmen estaria utilizando veículo e recursos da própria federação em atividades políticas e viagens para Brasília.
O documento levanta a suspeita de que as viagens teriam sido usadas para reuniões políticas de sindicatos com Fávaro. A acusação, porém, consta apenas na denúncia encaminhada à Ouvidoria e, até o momento, não foi conhecida pelo TRE-MT.
No pedido apresentado à Justiça Eleitoral, o denunciante quer uma devassa nas contas da FESSP-MT. Entre as medidas solicitadas estão a apresentação de prestações de contas, pareceres do Conselho Fiscal, orçamentos, balancetes e a discriminação das fontes de receita dos anos de 2024, 2025 e 2026.
Também quer que a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag) informe se a federação possui credenciamento para consignação em folha dos servidores estaduais, quanto recebeu e se existem convênios, subvenções, auxílios ou outros repasses públicos.