As constantes quedas e oscilações no fornecimento de energia elétrica em Sorriso passaram a ser alvo de investigação do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). Durante entrevista coletiva realizada na tarde desta quarta-feira (7), o promotor de Justiça Márcio Florestan Berestinas anunciou a instauração de um inquérito civil para apurar as falhas no serviço prestado pela concessionária Energisa e os prejuízos causados à população e ao setor empresarial.

A medida foi adotada após um pedido de providências apresentado pela Associação Comercial e Empresarial de Sorriso (ACES) e pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), diante das reclamações recorrentes de comerciantes e moradores sobre interrupções no abastecimento de energia.

Segundo o promotor, a investigação pretende identificar as causas dos problemas, dimensionar os prejuízos e estabelecer um diálogo com a concessionária para buscar soluções.

“Recebemos pedido de providências da ACES e CDL a respeito da prestação de serviços de energia elétrica em Sorriso. É fato que têm ocorrido inúmeras interrupções e oscilações na rede, e esses problemas têm causado prejuízos às empresas e pessoas físicas. Instauramos esse procedimento com a intenção de identificar as causas dessas falhas e promover um diálogo respeitoso com a Energisa em busca de soluções”, explicou.

Como parte do levantamento, o Ministério Público, em parceria com a ACES, CDL e Procon, disponibilizará um questionário para que empresários registrem os problemas enfrentados, incluindo danos a equipamentos, paralisações de atividades e perdas financeiras.

O formulário ficará disponível por 15 dias, a partir de 7 de outubro. Após esse período, será lançado um segundo questionário, destinado às pessoas físicas que também tenham sido prejudicadas pelas falhas no fornecimento.

O promotor ressaltou que o procedimento será conduzido de maneira séria e imparcial. Além da coleta de informações, foi solicitado apoio técnico ao Centro de Apoio Operacional do Ministério Público, em Cuiabá, para o deslocamento de uma equipe responsável por realizar uma perícia e auxiliar na identificação das causas das interrupções.

Empresários relatam prejuízos e cobram providências

O presidente da ACES, Sávio Zaniollo, destacou que as falhas no fornecimento de energia têm afetado diretamente o funcionamento das empresas, provocando prejuízos financeiros e dificuldades na manutenção das atividades comerciais.

De acordo com ele, em algumas situações, empresários precisam liberar funcionários antes do término do expediente devido à falta de energia. Há também relatos de equipamentos danificados e problemas relacionados ao retorno parcial do fornecimento.

“Pagamos, e pagamos bem por esse serviço, e esperamos uma resposta. Cada empresário que tenha fotos de equipamentos queimados, laudos, registros ou protocolos poderá encaminhar essas informações para que possamos demonstrar os prejuízos que estão sendo registrados”, afirmou Zaniollo.

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O representante da associação reforçou que a documentação dos danos será fundamental para apresentar à concessionária a dimensão dos problemas enfrentados pelo comércio local.

CDL pede participação da população

O vice-presidente da CDL de Sorriso, Charles Schilling, também destacou a importância da mobilização dos empresários e moradores para fortalecer o levantamento conduzido pelas entidades e pelo Ministério Público.

Segundo ele, os questionários serão divulgados nas redes sociais, permitindo que os interessados relatem as dificuldades enfrentadas com o fornecimento de energia.

“Gostaríamos da participação de todos para que os sorrisenses comecem a ter voz nessa reclamação. É de fundamental importância que respondam aos questionários para que tenhamos volume de informações para ingressar com uma ação”, declarou.

As informações coletadas deverão subsidiar a investigação e auxiliar na definição das medidas necessárias para buscar melhorias no serviço prestado em Sorriso.

O Ministério Público pretende reunir os principais registros de prejuízos e problemas apontados pelos consumidores, além dos resultados da análise técnica, para aprofundar a apuração e buscar soluções junto à Energisa.

Até o momento, não foi apresentada no material da coletiva uma manifestação da concessionária sobre a instauração do procedimento.

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